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Projeto e instalações: custo da obra, coeficiente do lote, fio elétrico, drywall, deck, grama e resina

Estas sete ferramentas têm pouco em comum, e uma coisa igual: o número que decide o resultado vem de fora da calculadora, de uma lei, de um fabricante ou de um índice mensal. Este guia mostra de onde vem cada um e onde a calculadora foi corrigida para bater com a fonte.

Este guia junta sete ferramentas: custo de obra por m², coeficiente de aproveitamento, bitola de fio, drywall, deck de madeira, grama em placas e resina epóxi. As fontes são a Lei 4.591/1964, o Estatuto da Cidade, o Sinduscon-SP, fichas da Multicondutores, da Knauf e da Redelease, a Macal Madeiras, a Grouht e a Embrapa.

Os exemplos foram passados pelas calculadoras. Onde a calculadora estava fora da fonte, a correção está dita no texto: foram três, no fio, no drywall e no deck.

Custo da obra: o CUB e o que ele não é

A Lei 4.591/1964, no art. 54, obriga os sindicatos estaduais da indústria da construção a divulgar todo mês, até o dia 5, os custos unitários de construção. O Sinduscon-SP, que calcula o CUB paulista com a FGV, o chama de índice oficial de uso obrigatório nos registros de incorporação. Em setembro de 2026, o padrão R8-N custava R$ 2.238,58 por m² sem desoneração e R$ 2.162,78 com desoneração.

O R8-N é de prédio de oito pavimentos, e o de casa é outro padrão: o formulário pede o custo por m² do seu estado e padrão. Para 120 m² a R$ 2.800,00, a obra base é de R$ 336.000,00. Somados 8% de projeto e licenças (R$ 26.880,00) e 15% de reserva (R$ 50.400,00), o total é de R$ 413.280,00, ou R$ 3.444,00 por m².

A reserva é decisão do dono: com 10%, o total cai para R$ 396.480,00. O CUB não é orçamento: a metodologia da NBR 12721, que o sindicato do seu estado detalha, deixa de fora itens como terreno e fundações especiais.

Coeficiente de aproveitamento: o que o lote permite

O Estatuto da Cidade, no art. 28, define o coeficiente de aproveitamento como a relação entre a área edificável e a área do terreno, e diz que o plano diretor fixa o coeficiente básico, único ou diferenciado por área, e os limites máximos. Acima do básico, o município pode cobrar contrapartida, a outorga onerosa, cuja fórmula uma lei municipal estabelece.

Num lote de 360 m² com coeficiente 2, a calculadora dá 720,00 m² construíveis. Com 50% de taxa de ocupação, a projeção máxima é de 180,00 m² (50% do lote), e a área permeável mínima, a 20%, é de 72,00 m² (20% do lote). A área cabe em 4,00 pavimentos.

Um projeto de 400 m² usa coeficiente 1,111 de 2 e deixa 320,00 m² de potencial. Os índices são os do zoneamento do lote, na consulta prévia da prefeitura, e o que entra na área computável, como garagem e sacada, varia de município para município. Recuos e gabarito reduzem o que a conta permite.

Bitola do fio: capacidade, queda de tensão e uma tabela conferida

A capacidade de condução da calculadora, para cobre com isolação de PVC, confere com a Tabela 2 da Multicondutores, que reproduz a NBR 5410. No eletroduto embutido (B1), com dois condutores carregados, 1,5 mm² conduzem 17,5 A, 2,5 mm² conduzem 24 A, 4 mm² conduzem 32 A e 6 mm² conduzem 41 A. Havia um erro: no método A1, eletroduto em parede com isolamento térmico, 1,5 mm² estavam com 15,5 A, e a tabela dá 14,5 A.

A norma fixa ainda duas coisas que a calculadora aplica. A primeira é a seção mínima do condutor de cobre, seja qual for a corrente: 1,5 mm² em circuito de iluminação e 2,5 mm² em circuito de força, categoria que inclui as tomadas. Vem da Tabela 47 da NBR 5410, reproduzida em artigo de O Setor Elétrico. A segunda é a queda de tensão: a norma admite no máximo 4% nos circuitos terminais, e a ABRACOPEL resume os limites totais em 5% a partir do ponto de entrega da distribuidora e 7% quando a instalação vem de transformador próprio.

O erro mudava o resultado. Um circuito de 15 A de iluminação, com o cabo em eletroduto com isolamento, recebia 1,5 mm² e agora recebe 2,5 mm², porque 2,5 mm² (19,5 A) é o mínimo para essa corrente. No eletroduto embutido comum, o mesmo circuito continua em 1,5 mm².

Dois critérios decidem a bitola, e vale o maior. Um chuveiro de 5.500 W em 220 V puxa 25,00 A, com disjuntor de 25 A. A capacidade pede 4 mm² (32 A), e a queda de tensão, em 20 m, 2,56 mm²: a bitola é 4 mm². Em 40 m, a queda passa a pedir 5,11 mm², e a bitola sobe para 6 mm².

Capacidade de condução, cobre com PVC, dois condutores carregados
SeçãoEletroduto embutido (B1)Parede isolada (A1)
1,5 mm²17,5 A14,5 A
2,5 mm²24 A19,5 A
4 mm²32 A26 A
6 mm²41 A34 A

Tabela 2 da Multicondutores, que reproduz a Tabela 36 da NBR 5410. A norma é paga: seção mínima e queda de tensão vêm de O Setor Elétrico, da SIL e da ABRACOPEL, que a reproduzem.

Drywall: a tabela da Knauf e o parafuso que sobrava

Pelo manual da Knauf, a chapa standard (ST) serve a áreas secas, a chapa verde (RU) tem hidrofugantes e é indicada para banheiros, cozinhas e áreas de serviço, e a chapa rosa (RF) tem retardantes de chama. As chapas seguem a NBR 14715, têm 1,20 m de largura, a ST também com 0,60 m, e de 1,80 a 3,60 m de comprimento, e os montantes ficam a 400 ou 600 mm entre eixos.

A tabela W111, de parede com uma chapa por face, dá por m² de parede: 2,10 m² de chapa, 29 parafusos TA 25, 3,0 m de fita e 0,90 kg de massa, já com 5% de perda. A calculadora usava 30 parafusos por m² de chapa, mais que o dobro dos 14,5 da tabela, e passou aos índices da Knauf.

Para uma parede de 5 × 2,8 m, com duas faces, a calculadora pede 29,40 m² de chapa, 11 chapas, 406 unidades parafusos, 42,0 m de fita e 12,6 kg de massa: os mesmos números da tabela, multiplicados por 14 m². A estrutura é a parte em que as duas divergem.

Parede de 5 × 2,8 m, duas faces, montantes a 600 mm
ItemKnauf, W111Calculadora
Chapa29,4 m²29,40 m²
Parafusos TA 25406406
Fita de papel42 m42,0 m
Massa para juntas12,6 kg12,6 kg
Montante35 m28,0 m
Guia11,2 m10,0 m

A calculadora trata a parede como retângulo cheio; vão, nicho e reforço mudam a contagem de montantes.

Deck de madeira: junta de 3 a 5 mm e barrote a cada 30 a 40 cm

A Macal Madeiras indica barrotes de 30 a 40 cm entre eixos, junta entre as réguas de 3 a 5 mm, para a madeira poder trabalhar, e manda que a madeira nunca encoste no solo. Os fixadores são de aço inox ou galvanizados, com dois parafusos por ponto de apoio, e as réguas ficam 48 horas no local antes de fixar.

A calculadora usava de 40 a 50 cm entre barrotes e junta de 3 a 8 mm, e passou aos valores da Macal. Para 4 × 3 m, régua de 9,5 cm e junta de 5 mm, são 30 fileiras e 44 réguas de 3 m, com 10% de perda. Com junta de 3 mm, são 31 fileiras e 46 réguas.

O barrote muda a estrutura: a 40 cm, são 11 linhas e 33,0 m; a 30 cm, 15 linhas e 45,0 m. A perda é sua, e o guia não afirma um percentual padrão.

Grama em placas: o que a calculadora faz e o que ela deixa para o produtor

A Embrapa Pecuária Sudeste registra que a grama-esmeralda ocupa 74% dos 17.000 ha estimados de gramados ornamentais do país e que as espécies exóticas, como ela, exigem mais água e nutrientes que as nativas. A escolha da espécie, o prazo entre colheita e plantio, a rega e o primeiro corte são do produtor da grama.

A calculadora cuida da quantidade. Para 50 m² com 10% de perda, são 55,00 m² de grama, ou 138 placas de 0,4 m². A camada de areia de 2 cm soma 1,00 m³, e o adubo de plantio, 3 kg por 100 m², 1,5 kg. Perda, areia e adubo são valores seus: ajuste ao projeto e à orientação do produtor.

Resina epóxi: volume, densidade da mistura e proporção em peso

Epóxi se calcula por volume. Para 20 m² com 2 mm, são 40,000 litros, e o peso depende da densidade da mistura. A Redelease dá 1,12 g/cm³ para a resina 2004 e 1,01 para o endurecedor 3154, na proporção de 100:50 em peso. A mistura tem 150 g em 139,04 cm³, ou 1,08 g/cm³.

Com essa densidade e 10% de perda, o piso pede 47,52 kg: 31,680 kg de resina e 15,840 kg de endurecedor. Com o 1,1 do formulário, seriam 48,40 kg. Uma mesa de rio de 120 × 60 × 4 cm, com 50% de resina, leva 14,400 litros e 17,11 kg.

A proporção é em peso, e a ficha da Redelease dá manuseio de 25 a 35 minutos para 100 g de mistura e cura total em 7 dias. A Grouht, outro fabricante, usa 2:1 e manda aplicar em camadas quando a espessura passa de 3 cm, sempre com a anterior seca. Siga a espessura máxima por camada da ficha do seu produto.

O que este guia não cobre

Ficam de fora o orçamento detalhado da obra, as regras de zoneamento de cada município e o projeto elétrico completo. Os valores da NBR 5410 citados aqui vêm de fabricantes e de publicações do setor que reproduzem a norma, e não do texto dela, que segue sendo a referência de quem projeta. Também ficam de fora as paredes de drywall acústicas e corta-fogo, os decks de materiais sintéticos e as resinas de outros usos.

As calculadoras dão quantidades de partida. Instalação elétrica tem responsabilidade técnica, e a compra final segue a ficha do produto escolhido.

Calculadoras deste guia

Disponível
Casa e obra

Custo de obra por m²

Estime o custo de uma construção a partir do custo por metro quadrado e da área construída.

Estimar custo da obra
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Casa e obra

Coeficiente de aproveitamento

Descubra quanto pode ser construído no lote pelos índices do plano diretor do município.

Calcular potencial
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Bitola de fio

Descubra a seção do fio pela corrente, pela distância e pela queda de tensão do circuito.

Calcular bitola
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Drywall

Calcule chapas, montantes, guias, parafusos, fita e massa para uma parede de gesso acartonado.

Calcular drywall
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Casa e obra

Deck de madeira

Calcule quantas réguas, quantos barrotes e quantos parafusos o seu deck vai precisar.

Calcular deck
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Casa e obra

Grama em placas

Calcule quantas placas ou rolos de grama comprar, com a perda de recorte e a areia de nivelamento.

Calcular grama
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Casa e obra

Resina epóxi

Calcule quantos quilos de resina e endurecedor comprar para piso, bancada ou mesa de resina.

Calcular epóxi