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Conta de luz: onde o consumo mora, e o que o solar muda

A conta de luz é sempre a mesma multiplicação: potência, tempo e tarifa. O que muda é onde o consumo mora, e a resposta quase nunca é o aparelho que parece. Este guia mede os quatro maiores da casa e termina no que a lei do solar passou a cobrar de quem gera a própria energia.

A casa do exemplo consome 450 kWh por mês e paga R$ 1,05 pelo quilowatt-hora. Esse é o custo efetivo, aquele que sai da própria fatura dividida pelo consumo do mês, e não a tarifa homologada: entre uma e outra estão tributos, a contribuição de iluminação pública e a bandeira do mês.

Os números saem das funções das calculadoras de consumo de energia, de chuveiro elétrico, de custo do ar-condicionado, de BTU, de iluminação em lúmens e de energia solar. A regra da geração distribuída vem da Lei 14.300/2022.

A conta é sempre a mesma multiplicação

Consumo em quilowatt-hora é potência em quilowatts multiplicada pelas horas de uso. Um aparelho de 1.000 W ligado duas horas por dia gasta 2 kWh por dia. Não há truque: o que engana é a intuição sobre quais aparelhos têm potência alta e quais ficam ligados muito tempo.

Por isso a tarifa que entra em qualquer conta destas precisa ser o custo efetivo, e não o número homologado pela agência. Divida o total pago na última fatura pelo consumo em quilowatt-hora daquele mês: o resultado já traz tributos, iluminação pública e bandeira embutidos, e é ele que descreve a sua casa.

Com esse cuidado, a comparação entre aparelhos fica honesta. No exemplo, R$ 1,05 por quilowatt-hora é o preço de tudo o que vem a seguir.

O banho: energia e água na mesma conta

O chuveiro é o aparelho de maior potência da casa. Com 5.500 W, 4 banhos por dia de 8 minutos, ele consome 88,0 kWh por mês e custa R$ 92,40 de energia.

Só que o banho cobra duas vezes. A mesma torneira aberta puxa água, e a tarifa de esgoto costuma ser cobrada como percentual do consumo de água: no exemplo, são R$ 69,12 de água e esgoto, e o custo mensal do banho vai a R$ 161,52.

É por isso que minuto de banho é a economia mais direta da casa: cada minuto cortado de todos os banhos vale R$ 20,19 por mês. Passar de 8 para 5 minutos leva a conta do banho de R$ 161,52 para R$ 100,95, uma diferença de R$ 60,57 por mês sem trocar nada de lugar.

A chave de inverno para verão nos meses quentes reduz a potência do mesmo chuveiro, e vale mais que qualquer ajuste de hábito no resto da casa.

O ar-condicionado: dimensionar antes, e olhar o coeficiente

A capacidade em BTU por hora descreve quanto calor o aparelho retira, não quanto ele consome. Para um ambiente de 18 m² com muito sol, 3 pessoas e 2 aparelhos que esquentam, a necessidade é de 16.800 BTU/h, e o modelo comercial que atende é o de 18.000 BTU/h, com 1.200 BTU/h de folga.

Escolhida a capacidade, quem decide a conta é o coeficiente de eficiência energética, o número em watt por watt que a etiqueta do Inmetro informa. Ele diz quanta refrigeração o aparelho entrega por watt consumido, e a diferença entre um modelo comum e um inverter aparece inteira na fatura.

No mesmo uso de 8 horas por dia, o aparelho de 12.000 BTU/h com coeficiente 3,2 custa R$ 166,18 por mês, e o de coeficiente 4,2 custa R$ 126,61. No ano, a diferença chega a R$ 474,80, com a mesma refrigeração no mesmo ambiente.

Há ainda a fração de tempo com o compressor ligado, que é o que separa o consumo nominal do real. Depois que o ambiente chega à temperatura ajustada, o compressor desliga ou reduz a rotação, e só a ventilação continua. No exemplo, cair de 60% para 45% de operação leva o custo mensal de R$ 166,18 para R$ 124,63, sem trocar o aparelho.

Essa fração depende do isolamento, do sol que entra, do número de pessoas e, principalmente, da temperatura ajustada. Um grau a mais no termostato tira horas de compressor do mês.

Onde o consumo se esconde

A intuição erra por causa do tempo. Uma geladeira de 150 W ligada o dia inteiro consome 108 kwh no período informado. e custa R$ 113,40 por mês, mais que a energia do chuveiro do exemplo, que tem trinta e seis vezes a potência dela e roda meia hora por dia.

A iluminação, que parece a vilã porque está sempre visível, é a menor parcela. Uma sala de 20 m² iluminada a 200 lux pede 5 luminárias de LED, 75 W instalados, e custa R$ 11,81 por mês, ou R$ 141,75 no ano.

O ranking da casa, então, é quase sempre o mesmo: climatização, aquecimento de água, refrigeração de alimentos e, bem depois, iluminação. Trocar lâmpada resolve pouco quando o ar-condicionado fica oito horas ligado.

Onde o consumo mora, com o quilowatt-hora a R$ 1,05
UsoCusto por mês
Ar-condicionado de 12.000 BTU/h, 8 h por diaR$ 166,18
Banho: 4 por dia, 8 minutos, com águaR$ 161,52
Geladeira de 150 W ligada o mês inteiroR$ 113,40
Iluminação da sala de 20 m² em LEDR$ 11,81

O banho inclui água e esgoto; os demais são só energia. Um aparelho de baixa potência ligado o tempo todo pesa mais que um de alta potência usado por minutos.

O solar: o que ele cobre e o que a lei cobra

Gerar a própria energia não elimina a conta. A distribuidora cobra o custo de disponibilidade mesmo de quem gera mais do que consome, e é por isso que o dimensionamento parte do consumo menos essa parcela: no exemplo, dos 450 kWh sobram 400 kWh por mês para compensar.

Isso pede 7 de 555 W e 18,2 m² de telhado, 3,89 kWp instalados, para uma geração estimada de 448 kWh por mês. O investimento de R$ 15.540,00 devolve R$ 420,00 por mês, com retorno em 3,1 anos (37 meses).

A geração fica um pouco acima do que há para compensar porque os módulos vêm em unidades inteiras: o sistema arredonda para cima, e a sobra vira crédito.

O retorno real é mais longo, e a razão está na lei. Desde 2023, o faturamento de quem participa do sistema de compensação inclui um percentual das componentes tarifárias da distribuição sobre toda a energia compensada, e esse percentual sobe a cada ano até a regra permanente. Quem já gerava quando a lei foi publicada, ou pediu acesso em até doze meses, ficou fora dessa transição até 2045.

Os créditos também têm prazo: o excedente não compensado vale por sessenta meses a partir do faturamento em que foi gerado, e depois disso é revertido em prol da modicidade tarifária. Dimensionar muito acima do consumo é gerar crédito que expira.

O gás de cozinha: o botijão em dias

O fogão entra no orçamento da casa pelo botijão. A calculadora de consumo de gás soma bocas, forno e aquecedor em quilos por dia. Com 1,5 hora de boca acesa por dia e uma hora de forno por semana, um P13 dura 62 dias: 6,32 kg por mês. Ao preço médio da ANP na semana de 20 a 26 de setembro de 2026, R$ 114,80 o botijão, são R$ 55,82 por mês.

O forno pesa menos do que parece. Na tabela de 2025 do Inmetro, o forno a GLP dos fogões etiquetados gasta de 0,062 a 0,169 kg por hora, e a calculadora passou a usar 0,11 kg/h, perto da mediana. A tabela não traz o consumo das bocas, só o rendimento, e os 0,13 kg/h por boca da calculadora são uma estimativa que você pode trocar.

Nobreak e gerador: VA, watt e bateria

Nobreak é anunciado em VA, e o aparelho consome watts. A calculadora de nobreak e gerador divide os watts pelo fator de potência informado: um computador de 150 W e dois roteadores de 20 W somam 190 W, ou 317 VA (fator de potência 60%), e ela sugere o modelo comercial de 600 VA.

A autonomia vem da bateria, e não da potência. Para 30 minutos, são 112 Wh, ou 9,3 Ah em 12 V; uma bateria de 45 Ah segura 145 minutos. Para geladeira, bomba e ar-condicionado, que puxam várias vezes a potência nominal na partida, a calculadora dimensiona o gerador pelo pico, e no exemplo chega a 1 kVA.

O que este guia não cobre

As contas aqui são de consumo, não de fatura. Bandeira tarifária, tributos, contribuição de iluminação pública e eventuais parcelamentos entram no boleto e não neste cálculo, embora já estejam embutidos quando a tarifa usada é o custo efetivo.

Tarifas com preço por horário, como a tarifa branca, mudam o resultado de quem consegue deslocar o uso para fora do horário de ponta, e nada aqui considera esse deslocamento.

Por fim, o dimensionamento de ar-condicionado e de iluminação segue regras práticas de mercado. Projeto de instalação elétrica, de conforto térmico ou luminotécnico é outra conversa, e em obra nova ela vem antes da compra do aparelho.

Calculadoras deste guia

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Utilidades e consumo

Consumo de energia

Estime o consumo em kWh e o custo de uso de aparelhos elétricos.

Calcular energia
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Utilidades e consumo

Chuveiro elétrico

Calcule quanto o banho custa por mês em energia e em água, e quanto cada minuto a menos economiza.

Calcular custo do banho
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Utilidades e consumo

Custo do ar-condicionado

Estime quanto o ar-condicionado gasta de energia por hora, por dia e por mês na sua conta de luz.

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Casa e obra

BTU do ar-condicionado

Descubra quantos BTUs o ar-condicionado precisa ter para o seu ambiente.

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Casa e obra

Iluminação em lúmens

Calcule quantos lúmens e quantas luminárias o ambiente precisa para a iluminância desejada.

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Energia solar

Dimensione a potência, o número de módulos e o retorno de um sistema solar pelo seu consumo.

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Consumo de gás

Descubra quantos dias o botijão de gás dura e quanto ele custa por mês na sua casa.

Calcular duração
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Utilidades e consumo

Nobreak e gerador

Dimensione a potência em VA, o banco de baterias e o gerador pela carga que precisa continuar ligada.

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